Quando tudo exige mais do que eu tenho

Há momentos em que nada parece errado, mas tudo pesa.
As tarefas são as mesmas, as pessoas são as mesmas, a rotina não mudou — e ainda assim, qualquer coisa exige um esforço maior do que antes.

Responder mensagens cansa. Decidir pequenas coisas demora. Estar presente em conversas simples consome uma energia difícil de explicar. Não é falta de vontade. É como se o corpo e a mente estivessem sempre um passo atrás do que o mundo pede.

O dia não chega com urgência, mas acumula. Um pedido aqui, outro ali, expectativas silenciosas, compromissos que não parecem grandes isoladamente — só difíceis de sustentar juntos. E, no meio disso, surge a sensação de estar sempre oferecendo mais do que se tem disponível.

Não é exaustão clara.
É desgaste contínuo.

E quando esse desgaste se estende, algo começa a se perder.
Não a capacidade de fazer, mas a de sustentar.
Não a força imediata, mas o sentido de seguir oferecendo.

A vida continua pedindo presença, resposta, disponibilidade —
como se o reservatório não tivesse fundo.
E muitas vezes o mais difícil não é atender às demandas,
mas admitir que elas já ultrapassaram o que é possível carregar em silêncio.

Talvez o esgotamento não comece quando falta energia,
mas quando tudo passa a exigir mais do que se tem
sem que isso possa ser dito.

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