Quando o barulho começou a substituir o tempo

Não foi de uma vez.

O barulho entrou aos poucos.
Primeiro como exceção.
Depois como fundo.

Antes, o tempo tinha espaço.

Dava para não saber o que vinha depois.
Dava para perder alguns minutos sem culpa.

Aos poucos, tudo foi sendo ocupado.

Sons que não pedem escuta.
Interrupções que não esperam resposta.

Em algum momento, o silêncio deixou de ser natural
e passou a ser raro.

Hoje, quando o barulho diminui — mesmo que por instantes —
o que aparece não é o vazio.

É o tempo.

Ainda ali.

*Outros textos seguem por aqui.