Há momentos em que a companhia não descansa.
Não porque as pessoas pesem, mas porque algo dentro já está no limite.
Conversas simples passam a exigir presença demais. Perguntas bem-intencionadas pedem respostas que não vêm prontas. Estar junto implica sustentar atenção, reagir no tempo esperado, manter um ritmo que nem sempre está disponível.
Não é rejeição.
Não é desinteresse.
É a dificuldade de oferecer presença quando o corpo e a mente pedem menos troca, menos demanda, menos explicação.
Nesses períodos, até o que costuma sustentar começa a exigir. E isso confunde, porque estar junto costuma ser visto como apoio, como descanso, como algo que fortalece. Fortalece — quando há espaço. Quando não há, pesa.
Quando estar com pessoas também cansa,
o cansaço não vem do encontro em si,
mas do quanto se precisa sustentar.
Há dias em que isso dói.
Não porque falte afeto,
mas porque sobra exigência.
Nem sempre é possível recuar.
Nem sempre dá para escolher menos.
Então o que se faz é seguir —
como dá.
E talvez reconhecer isso,
sem dramatizar,
sem se explicar demais,
já seja uma forma de não se perder
no meio do que pesa.
*Outros textos seguem por aqui.