O dia que não reage

Os dias parecem passar rápido demais.
Um se encosta no outro, quase sem intervalo.

Por isso o estranhamento quando um dia não acompanha esse ritmo. Ele anda devagar, não responde, não pede pressa. Há tempo demais entre as horas.

Às vezes incomoda.
Às vezes dói sem nome.

Às vezes, tenta-se ocupar o espaço.
Um gesto, uma tarefa, qualquer coisa que devolva movimento.
Mas o dia não reage. Ele fica.

A pressa não some.
O silêncio pesa.

Para alguns, esse peso cansa.
O dia parece longo demais para ser atravessado sem ruído.

Há quem não estranhe.
O dia lento não pesa. Ele acontece.

O silêncio não pede preenchimento. Para alguns, é só o ambiente — como a luz que entra, como a tarde que chega.

Isso não torna o dia melhor.
Não necessariamente.

Nem todo dia lento ensina.
Alguns apenas existem.

E o tempo segue ali.
Sem pressa de ir embora.