Às vezes eu passo na rua da minha infância.
Paro o carro e fico olhando, procurando por algo que se perdeu.
Não sei exatamente o quê.
O sentimento é de nostalgia. Mas é bom.
Não aperta. Não pede volta.
As casas parecem menores.
A rua, mais curta.
O tempo fez o que sempre faz: reorganizou tudo sem pedir permissão.
Ainda assim, há algo que resiste.
Não está nas fachadas, nem nos portões.
Está na forma como o corpo reconhece o lugar antes mesmo de pensar.
Não é saudade do que fui.
É respeito pelo que foi vivido ali.
Fico alguns segundos parado.
Depois sigo.
Levo comigo a sensação de que nada foi em vão.
*Outros textos seguem por aqui.